Terça-feira, Outubro 27, 2009
Saudades de Drummond
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Ainda hoje essas palavras me assombram.
E me inspiram.
Ainda hoje – confesso, quase envergonhado – me vejo aspirando essa coisa fora de moda que é caminhar de mãos dadas com meus semelhantes.
Ainda hoje, resisto a sucumbir à venalidade essencial vigorante do “cada um por si mesmo e Deus por todos”.
Ainda hoje, me flagro crendo nos olhos nos olhos, no peito aberto, na palavra dada, no sorriso grátis, na gratidão professa (…). Nesses valores corroídos pela mediocridade coletiva.
E, assim, persisto nessa tolice visceral de seguir acreditando no pote de ouro no fim do arco-íris, no coelhinho da páscoa, na perna cabeluda, na loira do banheiro (essa existe! Lógico que existe! Um bocado de colega meu a viu nos corredores sombrios do velho Ginásio Anchieta!)
E me esquecendo de que há certas esperanças que só deveriam pertencer à mocidade. Espinhas e convicções são, de fato, estorvos da juventude.
Mas já que não dá para não se afastar, bem que eu poderia me satisfazer em apenas ser cantor de uma mulher e suspirar na janela (Há coisa mais enjoativa que suspiro?)
Bem que poderia distribuir entorpecentes. (Porque, afinal, se há um produto de enorme demanda atualmente é entorpecimento!)
Bem que eu deveria mesmo fugir para alguma ilha recôndita. (Não é o que todo mundo faz o tempo todo?)
Quem quer a vida presente? Quem quer o tempo presente?
Eu não tenho saudade de nada. Salvo de mim
Segunda-feira, Março 23, 2009
Jovem Guarda no Canecão

Zé Renato aparece com um maravilhoso trabalho sobre o repertório da Jovem Guarda. O trato dado ao album é fabuloso. As músicas, todas, ganham um novo encanto entre a ingenuidade da época que foram feitas e à elaboração harmônica e produção sonora feita para esta "releitura". Ótimo! Imperdível !
Quarta-feira, Março 18, 2009
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
100 anos de Carmem Miranda com Sacramento

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008
Não é Mincharia
ANDRÉ MARINHO & AS FILHAS DA MÃE
Local: Largo do Mincharia (Praia de Iracema)
Dia: 06/12 - Sábado às 19hs
DETALHE: Boa música, bons amigos e só gente bonita
ANDRÉ MARINHO & AS FILHAS DA MÃE
Carioca, há 13 anos radicado em Fortaleza. Cursou a Faculdade Federal de Música do Rio de Janeiro (FEFIERJ). Atualmente é coordenador dos programas musicais do CCBNB, curador e coordenador geral dos seus Festivais Instrumentais, do Rock-Cordel e da Mostra da Canção Brasileira Independente. É compositor, com mais de 100 músicas de sua autoria e tem no samba o gênero escolhido para registrar a sua arte.
O Grupo vocal/Instrumental "Filhas da Mãe", formado em 2005, é oriundo do curso de música da UECE e tem como atuais integrantes: Ana Maria Sousa, Jacqueline Sidney, Daniel Sombra (vocal), Rebeka Cabral (vocal, percussão e violão), Luciana Costa (vocal e arranjos), além de Eduardo Holanda (violão), sob a orientação da cantora e professora Consiglia Latorre. O grupo tem o seu repertório focado nas composições de Edu Lobo, Tom Jobim, Chico Buarque, além de outros clássicos da música popular brasileira. Seus arranjos são originais e específicos para grupo vocal feminino com acompanhamento.
André Marinho mantém em suas letras uma abordagem de temática social já evidenciada em seus dois CDs, "Batuque dos Anjos" e "Vida de Gato". Preza principalmente pela poesia que aborda situações cotidianas da vida humana, em toques de classe, leveza elegância. Suas canções criam expectativa que precedem refrões de fácil assimilação e apego, através da sua voz grave e aveludada, em clima ora de festa ora de introspecção.
Na opinião do artista o trabalho realizado pelo grupo "Filhas da Mãe" é uma das mais gratas novidades musicais dos últimos tempos no cenário local e o resultado dessa parceria tem tudo para agradar. Excetuando-se quem "é ruim da cabeça ou doente do pé",
André Marinho
Consultor Interno - Coordenação Musical
Centro Cultural Banco do Nordeste - Fortaleza
( (85) 3464-3181 ( (85) 3464-3177 (Fax)
E-mail: andreluismm@bnb.gov.br
Sábado, Novembro 29, 2008
Recomendadíssimo !
Quinta-feira, Novembro 27, 2008
Domingo, Novembro 16, 2008
A arte de julgar
O pensamento industrial e a comunicação de massa deixaram para o homem duas posturas completamente paradoxais: um serialismo, em que a possibilidade da pessoa se coloca na vida através do trabalho, desenvolvido para o ganho e criatividade de quem detém o capital; e o contato com a informação da realidade de acordo com o que este sistema quer que o “pobre do homem” pense, exerça e reproduza. Não há dúvidas que resta dentro de si uma vontade insuperável de se colocar no mundo como pessoa, nas tentativas de opiniões próprias, de reforço de um caráter (questionável, pois sempre somos seres diferentes dentro de nós), de exigência de direitos “de consumidor” (já que seus direitos de ser criativo com sua própria vida lhe é retirado como premissa). Os mecanismos de civilização vão montando aparelhos para suprir a carência produzida e se completa em maior distorção, por pleno desinteresse real e primeiro na conformação de alguma eficiência certa, direcionada às piores conseqüências resultantes deste descaso.
A arte, seja em que forma de expressão, historicamente sempre trouxe os “anúncios” do que se estabelece na vida, como “profeta”, espelho ou crítica sobre a atualidade. A música, como uma arte mais popular, ainda mais, demonstra a natureza do comportamento das aglomerações, principalmente desde que saiu dos teatros, deixando um terreno pródigo de possibilidades do fazer musical, pela própria concentração que o ambiente proporciona, junto à interação próxima entre artista e público.
Nunca achei uma palavra tão apropriada para estas aglomerações senão “turba”. Turba é um aglomeração tribal, instintiva, sem possibilidades de razão, repleta de susceptibilidades, altamente agressiva. Em um “modus operandi” qual se vê o homem sem personalidade, repleto de necessidades, carente ao extremo e detentor de algum poder capital, é sua natureza que explode, tribalmente – na pior acepção do que é o modo de sobreviver em uma tribo essencialmente voltada para a auto-preservação pela agressividade.
Bom, esta introdução é para falar de um evento musical ocorrido em Fortaleza, no Dragão do Mar, dia 13 de novembro, onde ocorreria o show do grande compositor, intérprete e pesquisador de samba, Marcos Sacramento.
Havendo prontamente passado o som e chegado ao som “perfeito” para sua apresentação, iniciou o show à noite, com toda segurança de que seria mais um grande momento em sua carreira. De um momento para o outro, ele pára, diz estar havendo um problema que o está impedindo de continuar e fica conversando com o público, num crescendo de impaciência que é esperada, quando se está com tesão de fazer a música que está pronto e quer fazer, e é impedido por fatores adversos. Tentou chamar o público para mais perto, para um “show acústico” – o que poderia ter sido maravilhoso (embora não creia, pessoalmente, que um espaço de 800 pessoas pudesse haver tal façanha). Após um período de espera e a constatação de que o problema era insanável, demonstrou ao público o seu descontentamento, a impossibilidade pessoal de estar ali e fazer o que queria fazer, avisando às pessoas que poderiam ir receber seu dinheiro de volta.
Isto, claro, gerou a ira da turba, cada um com seu individualismo, a se irmanar em torno da irresponsabilidade, falta de respeito e tudo o mais que é atribuído ao artista como catarse de um momento em que o encanto era o mínimo esperado, e que o “barato foi cortado”. Uma turba não tem a consciência dos problemas técnicos que rondam o fazer musical, não imagina que o artista carrega toda a sorte de responsabilidades em torno de seu trabalho – como também as controversas falhas que ocorrem, que são competências “contratadas” e que não é passível de controle – e, muito menos sabem de que é impossível que um show musical seja feito sem retorno.
O ocorrido, tecnicamente, é que a mesa que controlava o retorno do artista e dos músicos havia queimado e que não houve como reparar, não havia outra mesa, não havia solução imediata. Alguns dizem que se poderia ter realocado algumas das caixas que saíam para o som do público como forma de remediar prontamente. Sei bem que caixas de retorno não têm o mesmo som das caixas que o público ouve, elas são equalizadas de maneira diferente, de modo a que cada componente se ouça muito bem e também ao grupo em que está participando. (Já cantei algumas vezes sem o menor retorno e foi o maior fracasso...risos), o que é bem diferente de um show deste porte, em que o artista está trabalhando sua música, a continuidade de um trabalho sólido, e que não acontece como “nós”, artistas independentes da independência de não sei o quê.
Durante os três dias que separam o ocorrido da data de hoje, dia 16, não ouvi nenhuma reflexão sensata e sensível ao artista, o que me reforça a certeza de que a “humanidade não caminha”, como diz um poeta amigo. O artista é trucidado em um julgamento medieval, enquanto quanto mais sangue se fizer jorrar, quanto mais “queimar o filme daquele irresponsável”, mais a catarse que seria por encanto se realiza em instinto irracional e bárbaro – sim, a palavra tem o poder da barbárie e reflete todo o fervor da frustração de um encanto possível.
Ouvi também coisas de que “vou dar uma segunda chance” e “ainda pagarei para vê-lo”, depois de “certo esclarecimento” do ocorrido. Quanto mais se persegue o discurso montado a partir de uma coisa que não foi sequer analisada, mais se reflete a carência de um pequeno poder pessoal diante dos fatos do mundo. Não creio que enquanto não nós refizermos como pessoas íntegras – donas de nosso capital imaterial e material – seja possível conviver com o modelo de civilização que nos é imposto e justificado culturalmente por todas as partes do planeta, por todas as “ciências” e modos de produção em que o capital e a indústria alocam no coração dos homens que querem ter boa vontade, mas seu “capital instintivo” não lhe dá a menor chance de saber que é a crítica negativa e a má vontade que reinam neste pequeno lago de um ser só.
Continua-se a matar e depois perguntar o nome ao morto.
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Indicação [Livro] - A arte de ensinar

Reflexão sincera sobre a experiência do ensino versus aprendizagem.
"Poucos fora da profissão de ensinar entendem a coragem necessária para entrar em uma sala de aula, usar uma máscara que você sabe ser uma construção, escondendo-se por trás dela, deixando-a dar forma e substância às suas formulações, deixando a máscara tornar-se a sua face. Requer uma certa bravura, mesmo uma certa selvageria, deixar que os alunos o vejam em tal estado, à mercê de um texto ou idéia imperfeita, tentando formular uma resposta para o texto, dar corpo à idéia em uma linguagem que uma faixa diversificada de alunos possa assimilar. Eu sempre me sinto um pouco assustado quando saio do meu escritório e começo a longa caminhada para a sala de aula, meus braços sobrecarregados de anotações e textos, minha cabeça abarrotada de idéias as quais não tive tempo de formular adequadamente. Fico me indagando que diabo acontecerá quando a aula começar. Vou conseguir fazer sentido? Os alunos vão reagir adequadamente? Vou parecer e soar como um idiota? Estou bem barbeado? Minha braguilha está aberta? Conseguirei passar esses 50 ou 60 minutos sem me sentir um completo imbecil?"
Sobre Direito Autoral
(Ana Terra - Compositora - No Seminário de Direito Autoral ora realizado no Rio)
Domingo, Agosto 10, 2008
Geração Orkut corre risco de crise de identidade, diz psiquiatra
Identidade virtual poderia deixar vida real 'chata e pouco estimulante'.
A geração de usuários da internet nascida depois de 1990 - década da popularização da rede - pode estar crescendo com uma visão perigosa a respeito do mundo e da sua própria identidade, sugere um psicanalista inglês.
Segundo Himanshu Tyagi, a principal causa deste problema seria o fato de que os nascidos nesta época já cresceram em um mundo dominado pela navegação na internet e pelos sites de relacionamento como o Facebook, Orkut e MySpace.
"É um mundo onde tudo se move depressa e muda o tempo todo, onde as relações são rapidamente descartadas pelo clique do mouse, onde se pode deletar o perfil que você não gosta e trocá-lo por uma identidade mais aceitável no piscar dos olhos", disse Tyagi durante o encontro anual do Royal College of Psychiatrists, uma das principais agremiações de psiquiatras do Reino Unido e da Irlanda.
O psiquiatra destaca ainda que as pessoas que se acostumam com o ritmo rápido dos sites de relacionamento podem achar a vida real "chata e pouco estimulante", o que poderia causar problemas de comportamento.
"É possível que os jovens que não conhecem o mundo sem as sociedades virtuais dêem menos valor às suas identidades reais e, por isso, podem estar em risco na sua vida real, talvez mais vulneráveis ao comportamento impulsivo ou até mesmo o suicídio", disse.
Pesquisa
Tyagi começou seu interesse por identidades virtuais quando fundou um site que funciona como uma rede de contatos profissionais e se deu conta da distância enorme que há entre psiquiatras em atividade e pacientes mais jovens em assuntos relacionados à internet.
Ele constatou, após uma pesquisa com psiquiatras durante um congresso nos Estados Unidos, que a maioria dos profissionais não sabia da magnitude do impacto do mundo virtual na geração jovem.
Segundo o professor, além dos sites de relacionamento, as salas de bate papo virtuais também podem influenciar problemas de comportamento como a timidez.
Ele destaca que o anonimato e a falta de experiência sensorial das conversas nestes ambientes virtuais poderia mudar a percepção de interatividade e criar uma visão alterada sobre a natureza dos relacionamentos.
"A nova geração, que cresceu em paralelo ao avanço da internet, está atribuindo um valor completamente diferente para as relações e amizades, algo que estamos fracassando em observar", afirmou Tyagi.
Benefícios
O psiquiatra afirma que são necessárias mais pesquisas sobre o impacto da internet na geração jovem e ressaltou alguns benefícios dos sites de relacionamento.
Segundo ele, essas redes oferecem um status social mais equilibrado, onde raça e gênero são menos importantes e onde as hierarquias da vida real são dispersas.
Ele destacou ainda que a quebra das barreiras geográficas permite acesso a relacionamentos e a apoio de amigos virtuais.
Experiência
As afirmações de Tyagi, entretanto, forem contestadas por especialistas da área.
Graham Jones, psiquiatra especializado no estudo do impacto da internet, reconhece que existe o risco de que uma freqüência exagerada de sites de relacionamento possa levar a problemas de comportamento. Mas ele acha que esses riscos foram exagerados por Tyagi.
"Para cada geração, a experiência com relação ao mundo é diferente. Quando a imprensa escrita surgiu, tenho certeza que muitos a consideraram como uma coisa ruim", disse Jones.
"Pela minha experiência, pessoas que tendem a ser mais ativas nos sites como o Facebook ou Bebo são aquelas que já são mais socialmente ativas de qualquer forma - é apenas uma extensão do que eles já fazem", concluiu o psiquiatra.







